Olá galera, tudo bem? Hoje vou falar de um jogo que me surpreendeu muito ao jogá-lo, CO2 – A Second Chance.

Primeiro devo esclarecer que todas as vezes que o joguei foi no modo semi-coop e esses foi um dos pontos que me surpreenderam: a verdadeira necessidade de termos, muitas vezes, que parar de seguir nosso objetivo e focar no bem comum para que o jogo não acabe.

Me surpreendeu também o fato de que, mesmo sendo um jogo de Vital Lacerda, que tem fama de jogos pesados, complicados e até burocráticos, segundo alguns, CO2 não é tao complexo assim e tem regras bem intuitivas, de facil assimilação e excelente iconografia, mas atenção: não é um jogo levinho não, não vá botá-lo na mesa daquele seu grupo iniciante no hobby para não “sufoca-los”.

Bom, mas vamos ao que é o jogo!

CO2: A Second Chance é uma versão atualizada do jogo original de 2012. Não saberia dizer qual a principal mecânica de CO2 já que todas elas precisam ser muito bem combinadas para que sua estratégia funcione, portanto vou citando-as aos poucos.

No jogo somos donos de grandes corporações com a função de construir usinas de energia limpa para suprir a demanda energética do planeta. Caso essa demanda não seja suprida durante o jogo, usinas poluentes irao aparecer para substitui-las, aumentando a emissão de CO2 na atmosfera até que o mundo entre em colapso e todos jogadores perdem o ar e o jogo!….cof…cof…cof!

O jogo acontece em cinco décadas que representam cinco rodadas. Em cada rodada temos fases distintas que são executadas em sequência. Lembrando que a ordem das fases no modo full-coop é diferente da semi-coop.

partida no modo semi-coop

Primeiro temos a fase de fornecimento de energia que é onde verificamos se todos os continentes do planeta tiveram sua demanda energética atendida por usinas de energia limpa, a saber, energia eólica, solar, hidroelétrica, reflorestamento e reciclagem. Caso não sejam, usinas poluentes entram em jogo (são sorteadas) e os índices de emissão de carbono sobem, aumentando as chances do fim do mundo acontecer…cof!. No começo do jogo não temos sequer chance de suprir essa demanda, entao, logo de cara já entram seis usinas poluentes em jogo, uma em cada continente, já elevando os níveis de CO2. Agora é correr atras nas proximas décadas.

Antes de falar das proximas fases, é importante falar de um ponto temático do jogo que são as Permissões de Emissão de Carbono (PEC), uma espécie de credito que foi criado após a assinatura do Protocolo de Kyoto e basicamente são títulos que voce tem que comprar se quiser poluir e voce pode emitir se não poluir, o que criou um verdadeiro mercado mundial, mas deixa isso pro pessoal do Jogada Histórica detalhar. Só falei isso pois no jogo, cada continente possui um certo número dessas PECs e sempre que uma usina poluente entra elas são gastas.

tabuleiro central

As proximas fases são as fases de ações propriamente ditas, ou operações como são chamadas, e variam na quantidade conforme o número de jogadores. São nessas fases que temos que chegar no objetivo principal: construir nossas usinas.

Mas não é tão facil assim construir uma usina né? Existe uma serie de etapas a serem seguidas. A primeira é ver que tipo de energia, dentre as já citadas, cada continente precisa, para daí sim começarmos a planejar as ações do nosso turno.

Existem dois tipos de ações possiveis no jogo, as principais e as executivas. Na nossa vez podemos fazer uma ação principal e as três executivas.

Nas ações principais é onde fazemos o passo a passo até construirmos uma usina. O primeiro deles é propor um projeto de um tipo de energia em um continente que tenha essa demanda, uma vez que o projeto esteja proposto, podemos fazer a segunda ação que é preparar uma infraestrutura para aí sim poder executar a terceira ação que é construir, enfim, nossa usina. É importante dizer que todos, apesar de sermos concorrentes, temos como objetivo comum melhorar o ar do planeta, portanto uma vez que um projeto é proposto, qualquer outro jogador pode ir lá e construir uma infraestrutura e depois qualquer outro pode construir a usina.

Toda construção tem um custo e gera um benefício e para construir as usinas é preciso também ter conhecimento daquela tecnologia e é aí que entram as ações executivas.

A primeira delas é simplesmente ir ao mercado, onde voce pode comprar ou vender suas PECs influenciando também no seu preço, aparecendo aí a questão da gestão de recursos. A segunda é a ação de carta, que é onde voce pode jogar uma carta de lobista de sua mão para te dar um benefício extra – lembrando que o lobby é uma atividade legal no mundo, apesar de no Brasil remeter a corrupção. Na ação de carta também possível reivindicar um dos objetivos da ONU caso o tenha alcançado que lhe dará pontos ao final do jogo no esquema set collection. A terceira ação executiva é a alocação de trabalhadores, no caso cientistas, com o intuito de ganhar conhecimento em determinada tecnologia energética, fazendo com que ele participe de um dos projetos propostos e das palestras nas cúpulas de energia. Eles tambem podem ser usados para conseguir recursos nas cartas de lobistas já jogadas.

A seguir temos a fase de receita, onde cada jogador recebe dinheiro ou pontos de vitória dependendo da sua posição nas trilhas de conhecimento de cada tipo de energia.

Por último temos a fase de evento, que é onde acontece um desastre em alguma região do globo e todos aqueles que não contribuíram com uma infraestrutura que suporte uma usina deve ajudar aquela regiao dando um de seus cubos de tecnologia (outro recurso do jogo) e tambem pagar uma PEC ao banco.

Um ponto importante é que o jogador que mais construiu usinas dentre as preferidas de um continente tem o domínio sobre ele e pode usar suas PECs e cubos de tecnologia como se fossem seus, entrando aí a mecanica de controle de área.

Temos também um objetivo secreto que da pontos no final do jogo, mas pode ser descartado a qualquer momento para conseguir dinheiro.

Ao final da quinta década o jogo acaba e aquele com mais pontos de vitória vence (jura?)!

A produção do jogo é linda e paleta de cores usada me agrada muito, a arte se resume ao globo central e a iconografia muito bem elaborada e as miniaturas das construções se encaixam de forma bem didática, demonstrando o projeto suportando uma infraestrutura que, por sua vez, suporta uma usina.

as usinas construidas

CO2 pode até assustar um pouco pela quantidade de coisas que tem, mas o jogo flui muito bem já que tudo é baseado numa sequência lógica, mas repito: não é um jogo pra todos, pois pode haver situação onde o cara acha que “já que vou perder, não vou contribuir com nada e o mundo que se exploda!” daí estraga o jogo.

Bom se voce não é um desses, aventure-se em CO2 pois afinal como diria o Maná: “Como quisiera…Poder vivir sin aire”.